Qual será a atitude exigida de nós como Cristãos, para os últimos dias da Igreja pregando o evangelho na face da terra? Onde estará a resposta à pergunta? No exercício da prática sem conhecimento ou na busca do conhecimento sem a devida aplicação? Nenhuma delas responde as necessidades do evangelho para esses dias e, quiçá, para os dias que nos antecederam, mas penso que continuamos a pendular entre as duas possibilidades que nada nos acrescentam.
Vou me apropriar das palavras de Paulo, quando ele define a vida cristão como uma carreira, para tentar exemplificar nossa atual situação.
Em qualquer carreira, encontramos os teóricos da profissão, que conhecem profundamente os meandros, leis, regulamentos, modo do de agir, falar e portar-se. São capazes de identificar todas as falhas no sistema, mas nunca colocaram a mão na obra e, por isso, são incapazes de enxergar além do que leram e não compreendem como as palavras se encaixam e descrevem a ação prática a ser realizada. Na carreira cristã, tais teóricos, perdem todo o contato com a vida cristã propriamente dita, tendendo a tornarem-se frios leitores, capazes de compreender todos os fatos históricos do cristianismo, mas incapazes de aplicá-los no dia a dia. São leitores, plenamente, capazes de explorar as palavras em seu contexto original, mas lhes falta o amor pelas almas, inerente a vida cristã prática e se esse fosse todo nosso problema, seria fácil resolvê-lo, bastaria explorar a aplicação prática do evangelho.
No entanto, também encontramos em qualquer carreira aqueles que nunca estudaram nada para poder exercer seu ofício com segurança. Praticam aquilo que lhes foi passado, da forma como foi passada, sem questionar, perguntar ou tentar entender. Apenas executam sem pensar e raciocinar sobre o objetivo a ser alcançado. São incapazes de analisar o fruto do próprio trabalho em conformidade com aquilo que se esperava da execução dele, pois nunca leram o manual que regula seu ofício. São, facilmente, manipulados, incapazes de identificar quando estão sendo usados por seus empregadores para fins obscuros. Meros executantes, sem capacidade de entender, decidir e orientar seus companheiros a executarem a tarefa em conformidade com o que lhes fora pedido. De tanto afastarem-se do manual, já agem de forma contrária a ele, sem nem menos notar, e tornam-se indignos do ofício que afirmam executar. Na vida cristã, ..., pela falta de conhecimento acerca do que as escrituras atestam para os últimos dias, estamos quase todos, cumprindo missões que não nos eram designadas como sendo a principal do evangelho. É óbvio que se relacionarmos algumas delas, chegaríamos a conclusão de que faríamos bem em cumpri-las, sem deixar de cumprir a missão fundamental para a vida cristã, mas como não se lê o manual da vida cristã, não se busca entendimento sobre os fatos que geram dúvidas. Ficamos na periferia do evangelho. É óbvio que, para uma boa compreensão, são necessárias horas de estudo. Contudo, o presente século tem preferido, praticar aquilo que lhes é ensinado sem verificar nas escrituras se as coisas são, de fato, como estão sendo explicadas e se as coisas ensinadas estão seguindo a ordenação correta quanto suas prioridades.
Longe destas duas distorções, o caminho excelente une a compreensão das Escrituras, irrevogável para os dias atuais, com a prática da vida diária cristã, capaz de alinhar nossos corações e mentes, a cumprir com a missão que nos foi delegada, tornando-nos capazes de compreender as Escrituras e dar tudo de si a fim de que mais um homem na face da terra possa ser, verdadeiramente, salvo. Quando se une o conhecimento e a prática temos o melhor rendimento de todos na vida profissional, quiçá, na vida espiritual, orientados pela ação do Espírito, ao invés de decisões, meramente, emocionais ou intelectuais.
Escrito por Ricardo Inacio Dondoni