sábado, 26 de maio de 2012

O véu rasgou, o caminho abriu, tudo consumado está

Nada há de mais extraordinário no evangelho, do que a resposta divina ao problema do pecado humano. 
É maravilhoso verificar que desde Gênesis à Apocalipse a resposta divina permanece a mesma e, por isso, digna de confiança: O homem é incapaz de resolver o problema do pecado! 
Já em Adão, verificamos que no pecado original, a questão levantada por Adão não era sua nudez física, mas algo maior e mais profundo do que conseguia conceber. 
O ato de cozer folhas de figueira, para si e para sua esposa (Gn 3.7), não alterou em nada o fato de Adão sentir-se nu diante de Deus, fato este que pode ser observado durante a narrativa bíblica (Gn 3.10). 
Não era uma nudez física que incomodava Adão, mas algo mais forte e intenso. Adão tenta cobrir-se dos olhos de Deus, ao se vestir com folhas de figueira. No entanto, a narrativa bíblica parece descrever que a solução humana estava longe de ser perfeita, eficiente e eficaz. Nenhuma de suas ações possibilitou a Adão corrigir o problema do pecado. Na realidade, daquele fato em diante, a cada questionamento divino, a resposta humana, limitada e temporal, somente tornava Adão mais culpado diante daquele que é Eterno, fazendo Adão cair em um abismo após o outro, até que, por fim, para fechar o pacote, Adão resolve transferir a responsabilidade pelo erro para sua esposa e o próprio Deus, sendo o resto da história, já, bem conhecida. 
Nenhum homem na face da terra foi capaz de resolver o problema adâmico do pecado. Na realidade, todos nós temos sido bons exemplos e cópias, quase que fieis, da irresponsabilidade de Adão por suas ações. 
De Adão herdamos a dificuldade em assumir nossos erros, falhas, mazelas e pecados, bem como, a inexplicável capacidade ímpar de racionalizar, transferir e justificar nossas ações, quando postos contra a parede. 
O que mudou na natureza humana desde Adão? Nada! Todo homem, descendente de Adão, continua a incorrer nos mesmos erros de seu antecessor. 
Talvez, seja esse o motivo de Deus, diante do primeiro tribunal instaurado na face da terra, ter dito que, não a descendência de Adão, mas sim, a descendência da mulher viria a providenciar o resgate do Homem (Gn 3.15). A referência alude a um descendente que seria diferente de todos os demais homem gerados em Adão. 
A forma como os textos bíblicos se encaixam perfeitamente ainda me deixa maravilhado diante de todo o quadro escriturístico, com mais de 1600 anos de edição, onde Paulo descreve ao Gálatas (Gl 4.4), que finalmente veio àquele que foi esperado desde o princípio da criação, a fim de redimir o homem naquilo que todas as gerações foram incapazes e, por fim, colocar um ponto final na questão do pecado. 
A descrição da incapacidade humana em providenciar sua própria resposta ao problema do pecado é trabalhada ao longo de todos os livros que compõem a Bíblia. Em Isaías, vemos que a misericórdia divina permitiu que o homem ao longo dos tempos, buscasse entender a natureza do problema, mas que o tempo destinado ao homem para que compreendesse sua miserabilidade havia terminado e, que, a ação divina determinada desde Gênesis, deveria se concretizar perante o resultado óbvio de todas as tentativas humanas: “...viu que não havia ajudador algum e maravilhou-se de que não houvesse um intercessor; pelo que o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve…” (Is 59.16). 
Enfim, em Cristo, temos o único homem capaz de quebrar a maldição do pecado. O único que realmente entende o tamanho da ofensa e o preço necessário a ser pago para liquidar a dívida. 
Cristo sai da eternidade e entra na história (no tempo), nos proporcionando aquilo que todos as demais tentativas humanas foram incapazes de fazer: resolver o problema do pecado, liquidar a dívida, tornar-nos aceitáveis perante Deus, proporcionando um novo caminho e esperança para todo aquele que resolver segui-lo. 
Por isso, toda a vez que escuto o trecho do louvor “… o véu  rasgou, o caminho abriu, tudo consumado está…”, faço uma pequena viagem ao longo de todos os textos bíblicos, pois a dimensão da obra feita por Cristo a nosso favor é incomensurável.
Escrito por Ricardo Inacio Dondoni 

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