domingo, 15 de abril de 2012

Igreja dispensável

Tão singular é a expressão que anuncia e referencia o Reino de Deus em sua plenitude que, deveras, pouco falamos na profundidade que ele deveria ser anunciado.
Pode ser que a maioria, de nós, tenha sido chamado à aceitar a Cristo como Seu Senhor e Salvador, apenas com o intuito de defender bandeiras eclesiásticas, mas nem de longe, este foi o chamado de Cristo para Sua Igreja. 
Durante seu ministério de três anos, no qual Cristo pregava e ensinava a todos quanto se dispusessem a ouvi-lo, Ele anunciou por obras, ações, ensinamentos e atitudes o que vinha a ser o Reino de Deus. 
Nenhuma de Suas ações visava menos do que anunciar a proximidade do Reino, onde a vontade de seu Pai seria, plenamente, executada e todas as profecias, enunciadas pelos profetas, seriam cumpridas. 
No entanto, o que nos restou acerca da doutrina do Reino? O que anunciamos? O que pregamos? Quais são os focos e os temas que trabalhamos com a Igreja? Como desenvolvemos a importância do ensino sobre o Reino de Deus para os dias atuais, mesmo que o assunto reflita em promessas que se cumprirão no porvir? Na realidade, você terá que concordar que pouco pregamos sobre o Reino, da forma como Cristo o anuncia. 
Pregamos, em grande parte, um crescimento acelerado, voltado a números em detrimento da qualidade, por crermos que a Igreja é a responsável por estabelecer o Reino de Deus na terra. No entanto, se o Reino de Deus será estabelecido pelo avanço das Igrejas Cristãs sobre a face da terra, deveríamos a cada dia estarmos mais próximos do cumprimento profético acerca do estabelecimento do Reino, mas não é isso que verificamos numa rápida análise. 
 Crescimento demanda tempo, o que estamos adquirindo é obesidade mórbida. Não estamos cuidando do Corpo, estamos o inchando com todo tipo de produto gospel agradável aos olhos e desejável para dar entendimento. O resultado tem sido o avanço do número de Igrejas, sem, no entanto, a mudança nos hábitos e no comportamentos dos chamados para integrar o Corpo, compondo uma Igreja que está a beira de se tornar dispensável. 
A saída passa longe do que alguns estão propondo como resposta aceitável, abandonar o Corpo que se reúne nas igrejas. Aliás essa resposta nunca esteve tão longe do padrão bíblico aceitável, afinal, em Hebreus, temos este grande alerta que já ecoava nos tempos dos apóstolos: “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia” (NVI, Hb 10.25). 
A única saída aceitável torna-se, a mesma que tem sido propagada desde o princípio da pregação bíblica pelos apóstolos, crer na palavra de Deus e começar a vivê-la como se nosso destino final estivesse no fiel da balança, não mais vivendo para agradar e satisfazer a carne, mas para honrar aquele que deu Sua vida por nós, a saber, Jesus, o Cristo. 
Qual é o problema em retornar ao foco bíblico? Em grande parte deveríamos parar de alimentar o Eu para negá-lo e, com isso, nada mais de mensagens triunfalistas, de prosperidade ou de escambo gospel. Apenas, a Bíblia em conformidade com a Bíblia, sem arrastar os versículos de um lado para o outro, a fim de justificar o pensamento das lideranças eclesiásticas e inchar as igrejas com promessas vazias. É provável que, dessa forma, voltássemos ao Cristianismo Bíblico e, por fim, ao entendimento de tudo quanto Cristo alertou sobre o Reino de Deus.
Escrito por Ricardo Inacio Dondoni

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